⏱️ 7 min de leitura · Atualizado em 27 de abril de 2026 · Este artigo contém links de afiliados — se você comprar pelas indicações, recebo uma pequena comissão sem custo adicional. Só recomendo o que eu próprio usaria. Saiba mais.
A expectativa de vida do homem brasileiro é 73,1 anos. A da mulher, 79,7. Quase 7 anos a menos — e boa parte dessa diferença não vem da genética, vem de exames que não foram feitos a tempo.
Eu mesmo passei meus 30 sem fazer um hemograma. Aos 38, descobri colesterol alto e vitamina D pela metade. Coisas silenciosas que viram problema sério se você ignorar por mais 10 anos.
Este guia é o que eu gostaria de ter lido aos 35: os 7 exames que homens acima dos 40 deveriam fazer anualmente, segundo o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e os principais protocolos de check-up masculino.
Por que os 40 anos são um divisor de águas
A partir dos 40, o corpo masculino entra numa fase de transformações silenciosas. A testosterona cai de 1% a 2% ao ano. O metabolismo desacelera. A sensibilidade à insulina diminui. A próstata começa a crescer.
Nada disso dói. Por isso doenças graves como câncer de próstata, infarto, diabetes tipo 2 e doenças renais são chamadas de “silenciosas” — só dão sinal quando já estão avançadas. Os exames a seguir servem para flagrá-las cedo, quando ainda dá para reverter.
1. Hemograma completo
Avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. É o exame mais básico — e mais subestimado — da medicina. Em homens acima dos 40, ajuda a identificar anemia, infecções, alterações de coagulação e sinais precoces de doenças do sangue, como leucemias, que ficam mais comuns com a idade.
Custa entre R$15 e R$40 em laboratórios populares e exige só 4 horas de jejum. Não pule por achar que é “bobinho” — ele é o ponto de partida que todo médico vai querer ver.
2. Perfil lipídico (colesterol e triglicérides)
Avalia diretamente seu risco cardiovascular. Doenças do coração são a primeira causa de morte de homens acima dos 40 no Brasil — à frente até de todos os tipos de câncer somados.
Mede colesterol total, LDL (ruim), HDL (bom) e triglicérides. A queda da testosterona, o ganho de gordura abdominal e a desaceleração do metabolismo formam uma combinação perfeita para o aumento do colesterol ruim. Muitos homens com perfil normal aos 35 ficam alterados aos 42 — sem mudar nada na rotina.
Como referência geral: LDL abaixo de 130 mg/dL, HDL acima de 40, triglicérides abaixo de 150. Mas seu médico interpreta esses valores considerando seu contexto.
3. Glicemia e hemoglobina glicada
Esses dois exames juntos avaliam como seu corpo lida com o açúcar. A glicemia mostra o nível atual; a hemoglobina glicada mostra a média dos últimos 3 meses. A glicada não engana — ela mostra a tendência.
Estima-se que 1 em cada 4 brasileiros com diabetes tipo 2 não sabe que tem a doença. E o diabetes não dói — até começar a destruir os rins, os olhos, os nervos das pernas e a função sexual.
Glicemia em jejum normal vai até 99 mg/dL; entre 100 e 125 é pré-diabetes; 126 ou mais (em duas medições) é diabetes. Hemoglobina glicada normal até 5,7%; 5,7% a 6,4% é pré-diabetes; 6,5% ou mais é diabetes.
Detectar pré-diabetes é uma das melhores notícias que você pode receber: é uma condição reversível só com mudança de estilo de vida. Detectar diabetes já instalado, nem tanto.
4. PSA total (Antígeno Prostático Específico)
O PSA é uma proteína produzida pela próstata, e seus níveis no sangue ajudam a identificar alterações no órgão — desde crescimento benigno até câncer.
A SBU recomenda começar aos 45 anos. Antecipe para 40 se você tem histórico familiar de câncer de próstata em parentes de primeiro grau, é negro (estatisticamente, há maior incidência e agressividade), ou tem obesidade, síndrome metabólica, fuma ou é sedentário.
E o exame de toque?
Sei que é o tabu. Mas seja honesto consigo mesmo: 15 segundos de desconforto valem mais que um diagnóstico tardio de uma doença que tem 90% de chance de cura quando descoberta cedo.
O PSA sozinho não é suficiente. Cerca de 25% dos cânceres de próstata não elevam o PSA mas podem ser detectados pelo toque. E 25% dos PSA elevados não são câncer. Os dois exames se complementam.
5. Função renal (ureia e creatinina)
Avaliam se seus rins estão filtrando o sangue corretamente. Quando os rins começam a falhar, esses valores sobem antes de qualquer sintoma aparecer.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o número de brasileiros em diálise triplicou em duas décadas. As principais causas? Hipertensão e diabetes — exatamente as doenças que se desenvolvem silenciosamente nessa faixa etária. Detectar a queda da função renal cedo evita progressão; detectar tarde, na maioria das vezes, é caminho sem volta.
6. Função hepática (TGO, TGP e Gama GT)
Avaliam a saúde do fígado, outro órgão silencioso. Em homens acima de 40, três condições principais elevam essas enzimas: esteatose hepática (fígado gorduroso, atinge 1 em cada 3 brasileiros), consumo excessivo de álcool e hepatites virais B e C — que muitos têm sem saber.
A boa notícia: a maioria das alterações nessa idade são reversíveis se identificadas cedo.
7. Avaliação cardiológica (ECG e pressão)
Todo homem acima dos 40 deveria ter pelo menos uma avaliação cardiológica anual — mesmo se sentindo bem. O básico inclui eletrocardiograma (detecta arritmias e sinais de infarto silencioso), medida da pressão arterial e avaliação clínica.
A pressão alta é uma armadilha
A hipertensão atinge mais de 38 milhões de brasileiros — e a maioria descobre depois dos 40. Pior: 1 em cada 4 hipertensos não sabe que tem a doença. Não há sintoma. Até o dia em que aparece um AVC ou um infarto.
Por isso essa é talvez a única recomendação de produto que faria sem hesitar para qualquer homem acima dos 40: ter um medidor de pressão de braço em casa. É a forma mais barata e eficaz de monitorar saúde cardiovascular entre uma consulta e outra.
Cardiologistas e a Sociedade Brasileira de Hipertensão recomendam unanimemente os modelos de braço — os de pulso são mais portáteis, mas significativamente menos precisos.
Quer um medidor para usar em casa?
Pesquisei os modelos disponíveis no Brasil e separei 3 opções para perfis diferentes — do custo-benefício ao monitor com app. Comparação completa, faixas de preço atualizadas e o que considerar antes de comprar.
Como medir certo (a maioria erra)
Comprar o aparelho é metade do trabalho. Os erros mais comuns:
- Medir logo depois de café, exercício ou estresse. Espere 5 minutos sentado e calmo.
- Braço mal posicionado. Apoiado, à altura do coração.
- Braçadeira por cima da roupa. Sempre direto na pele.
- Falar durante a medição. Pode aumentar a pressão em até 15 mmHg.
- Medir uma vez só. Faça duas medições com 1-2 minutos de intervalo e considere a média.
A frequência ideal para quem está só monitorando preventivamente é uma vez por semana, sempre no mesmo horário. Anote os valores e leve para a próxima consulta.
Bônus: 3 exames extras se você for além do básico
- Vitamina D (25-OH). Mais de 70% dos brasileiros têm deficiência. Associada a cansaço, dor muscular, queda da imunidade e até depressão.
- TSH (tireoide). Hipotireoidismo masculino é mais comum do que se imagina e causa cansaço, ganho de peso e queda da libido.
- Testosterona total e livre. Especialmente se você tem cansaço, queda da libido, perda de massa muscular ou irritabilidade.
Como organizar isso na prática
Marque uma consulta com clínico geral ou médico de família e diga que quer fazer um check-up. Faça os exames de sangue todos no mesmo dia, em jejum — laboratórios populares (DASA, Sabin, Hermes Pardini, Fleury, dr.consulta) cobram pacotes de check-up masculino entre R$200 e R$500, bem mais barato que avulso.
Para PSA e avaliação prostática, agende com urologista. Leve TODOS os resultados ao médico — não tente interpretar via Google. Os valores de referência mudam com idade, comorbidades e contexto.
Em resumo
Os 7 exames anuais essenciais para homens acima dos 40 são:
- Hemograma completo
- Perfil lipídico
- Glicemia e hemoglobina glicada
- PSA total + avaliação urológica
- Função renal
- Função hepática
- Avaliação cardiológica (ECG e pressão)
Marca a consulta. Não adia mais. Sua versão de daqui a 10 anos vai te agradecer.
Importante: este artigo é informativo e baseado em diretrizes de sociedades médicas brasileiras (SBU, SBC, Ministério da Saúde). Não substitui consulta médica. Cada caso é único, e seu médico é quem deve definir quais exames você precisa fazer e com que frequência.
Perguntas frequentes
Posso fazer todos esses exames pelo SUS?
Sim. A dificuldade costuma ser o tempo de fila e a necessidade de passar primeiro pelo médico de família.
Quanto custa fazer todos esses exames de forma particular?
Os exames de sangue (hemograma, lipidograma, glicemia, glicada, PSA, ureia, creatinina, TGO, TGP, Gama GT) somados saem entre R$150 e R$400 dependendo do laboratório. Adicione cerca de R$200 a R$400 para uma consulta com urologista e R$200 a R$400 para um cardiologista com ECG. Total estimado: R$550 a R$1.200 — ou cerca de R$50 a R$100 por mês se você considerar uma vez por ano.
Tenho 38 anos. Posso adiar até os 40?
Não há motivo para adiar. Os 40 são um marcador estatístico, não uma fronteira mágica. Se você está perto, comece agora — especialmente se tem sobrepeso, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou câncer, ou simplesmente nunca fez um check-up.
Os exames podem ser feitos em casa?
Alguns sim — testes rápidos de glicemia, medida de pressão arterial, monitores de oxigenação. Mas os exames de sangue precisam de coleta em laboratório. A boa notícia é que vários laboratórios já oferecem coleta domiciliar com custo adicional pequeno.
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